Reparou que a colheita foi das boas e mesmo assim tirar o grão da fazenda não ficou mais barato? Pois é, o caminhão continua cobrando caro, quando a época já era de dar folga no preço.
Passado o pico de escoamento da primeira safra, o normal seria o frete rodoviário afrouxar. Acontece que ele segue perto do auge de fevereiro e março. O que mantém o caminhão disputado é justamente a fartura, uma safra de soja recorde que apareceu no Boletim Logístico de junho da Conab e ainda vai ganhar reforço da segunda safra:
-
Soja, +8,8 milhões de toneladas sobre o ciclo anterior, ou seja, muito mais grão pra mover.
-
Diesel S-10 no Paraná a R$ 6,38/L, empurrando o custo do caminhoneiro pra cima.
-
Internalização de fertilizante em maio, a menor desde 2022, e El Niño rondando o segundo semestre.
Aí está o contrassenso que dói no bolso. O normal seria o fim do pico liberar caminhão e o frete ceder, só que a safra recorde deixou grão demais na fila pra isso acontecer. Mais carga disputando o mesmo eixo segura o preço firme, e o diesel caro não deixa recuar.
No fim das contas, o recorde na balança não virou desconto no frete. O grão saiu da lavoura em quantidade, mas cada tonelada a mais que você colheu foi também uma tonelada a mais pra pagar pra transportar.


