Até os americanos querem o tarifaço no lixo

Virou aquele presente que nem quem deu quer mais. O próprio setor de máquinas dos Estados Unidos foi às audiências pedir o fim do tarifaço, não por bondade com o Brasil, mas pra proteger a própria indústria americana, que também apanha na conta. Quando quem cobra a tarifa começa a torcer contra ela, é sinal de que o tiro saiu pela culatra. O tom, aliás, baixou. A audiência do agro teve menos tensão do que se esperava, com defesa mais técnica e menos embate político, e entraram pedidos de isenção para uma lista bem brasileira, café solúvel, mel, arroz e etanol. Não que o assunto tenha virado brincadeira, o impacto no agronegócio brasileiro pode chegar a US$ 4,2 bilhões. Para o exportador, fica a leitura fria, tarifa que incomoda até o dono da casa tem prazo de validade, mas, enquanto ela vale, quem paga a diferença é o produto que sai do porto brasileiro.

Recorde de carne com os EUA rondando a China

Foi recorde em dose dupla. A exportação de carne bovina no primeiro semestre bateu o maior número da história (+15,5%, segundo a Abiec), e a carne suína acompanhou: US$ 1,859 bilhão de receita, +7,9% sobre o ano passado, também mirando recorde em 2026. Quando duas proteínas estouram a marca na mesma semana, não é sorte de calendário, é a balança comercial mostrando quem paga as contas do país. Só que o brinde tem um convidado de cara fechada. Enquanto o Brasil comemora, a carne bovina dos Estados Unidos ganha vantagem na China justamente porque concorrentes como o Brasil e a Austrália enfrentam restrições por lá. Ou seja: o freguês mais cobiçado do mundo pode trocar de fornecedor enquanto a gente ainda tira a foto do recorde. Some a isso o tarifaço americano rondando os embarques, e o segundo semestre vira jogo em aberto. Para o pecuarista, o recado é animador com asterisco bem grande: a demanda global está aí, mas ela é volúvel, e quem não cuida do acesso ao mercado colhe recorde hoje e fila de espera amanhã.

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