Foi recorde em dose dupla. A exportação de carne bovina no primeiro semestre bateu o maior número da história (+15,5%, segundo a Abiec), e a carne suína acompanhou: US$ 1,859 bilhão de receita, +7,9% sobre o ano passado, também mirando recorde em 2026. Quando duas proteínas estouram a marca na mesma semana, não é sorte de calendário, é a balança comercial mostrando quem paga as contas do país.
Só que o brinde tem um convidado de cara fechada. Enquanto o Brasil comemora, a carne bovina dos Estados Unidos ganha vantagem na China justamente porque concorrentes como o Brasil e a Austrália enfrentam restrições por lá. Ou seja: o freguês mais cobiçado do mundo pode trocar de fornecedor enquanto a gente ainda tira a foto do recorde. Some a isso o tarifaço americano rondando os embarques, e o segundo semestre vira jogo em aberto.
Para o pecuarista, o recado é animador com asterisco bem grande: a demanda global está aí, mas ela é volúvel, e quem não cuida do acesso ao mercado colhe recorde hoje e fila de espera amanhã.



