Rodar 100% a biodiesel deixou de ser promessa de feira e virou frota de verdade, pelo menos no Paraná.
Na terça, a Volvo entregou ao Grupo Potencial os caminhões flex que rodam com B100 puro, o combustível feito de soja e milho, com a opção de voltar ao diesel comum se precisar. Com a leva nova, são 31 unidades do Volvo FH B100 Flex rodando pela produtora, que agora chega a 43 caminhões movidos a B100 no total e calcula deixar de jogar mais de 3 mil toneladas de CO₂ no ar por ano.
A Potencial, que já é a maior fábrica de biodiesel em planta única do mundo, está no meio de um ciclo de R$ 6 bilhões em investimentos até 2030 pra esmagar mais soja e produzir etanol de milho e biogás. Trocar a frota por caminhão que polui menos entra na conta de virar uma empresa carbono negativo.
O apetite existe. A montadora já vendeu 300 desses caminhões desde o lançamento, em 2024, e eles saem só cerca de 5% mais caros que o modelo a diesel comum, bem abaixo do elétrico ou do movido a gás.
Aí mora o espinho no meio do talhão. O B100 corta até 90% das emissões, mas hoje a ANP não deixa vender biodiesel puro na bomba do posto. Na prática, esses caminhões abastecem dentro da fábrica e, se a viagem for longa demais pro tanque, voltam pro diesel na estrada. A tecnologia está pronta, a regra é que ainda não acompanhou.
Ou seja, dá pra rodar com o que a fazenda planta, desde que não se afaste muito de casa. Frota limpa esbarrando na burocracia, de novo.



