Tem produtor que empurra a compra de uma colheitadeira nova com a barriga do mesmo jeito que outros adiam a trocar de um pneu novo, segura enquanto dá. E em 2026 vai segurar ainda mais. A indústria já admite que a venda de máquina agrícola deve cair de 15% a 20% no ano, tombo bem maior que os 8% que se esperava antes, número que a Câmara Setorial da Abimaq crava hoje, depois de pôr o novo Plano Safra na balança.
E o mais cruel é que a freada vem mesmo com dinheiro um pouco mais barato na praça. A linha que banca o trator, o Moderfrota, encolheu de R$ 12,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões no Plano Safra, ainda que o juro tenha cedido 1 ponto, para 12,5% ao ano. Não adianta, como avalia Pedro Estêvão, da Abimaq, o produtor está com a rentabilidade baixa e, mesmo com crédito em conta, não tira o pé do freio.
Antes de decretar a lavoura de braços cruzados, cabe o contraponto. A margem espremida de soja e milho explica o desânimo, mas o próprio setor aposta que linhas como o Finep, com juro de 9,2%, podem amortecer parte do baque. E essa queda parte de uma base que já tinha recuado, ou seja, é menos um abismo novo e mais o segundo ano seguido de vacas magras no pátio da concessionária.
No fim, o recado fala direto com o Plano Safra, porque máquina é o primeiro investimento que o produtor risca da lista quando o caixa aperta, e a fila parada na concessionária acaba virando termômetro da confiança do campo. Enquanto a conta da safra não fechar, o trator novo segue no showroom, esperando a rentabilidade dar as caras.



