Anunciar R$ 6 bilhões de investimento é fácil quando o vento sopra a favor, difícil é segurar a data quando a burocracia troca de ideia três vezes. O paranaense Grupo Potencial admitiu que o pacote bilionário para biodiesel, esmagamento de soja e etanol de milho, prometido para 2030, pode escorregar até 2032.
O nó, segundo o vice-presidente Carlos Eduardo Hammerschmidt, tem nome e sobrenome: o atraso do B16. Pela Lei do Combustível do Futuro, a mistura de biodiesel no diesel deveria ter subido para 16% em março, mas o governo, conta ele, fez três anúncios e três cancelamentos de reunião no conselho que decide o tema. Sem a mistura maior, sobra tanque e falta comprador, o Brasil tem capacidade para 16 bilhões de litros de biodiesel e produz só 10 bilhões, com o parque industrial girando em banho-maria.
O que a empresa segura firme é o passo deste ano, R$ 2 bilhões mantidos, a terceira planta de biodiesel prometida para o início de 2027 e a capacidade indo a 1,7 bilhão de litros anuais. O que cedeu foi a expectativa de caixa: o faturamento, que bateu R$ 12 bilhões em 2025 e mirava R$ 14 bilhões neste ano, agora tenta no máximo “empatar”. Vale o desconto de sempre, a companhia põe a conta no colo do governo e não deixa de ter razão, mas o parque ocioso é do setor inteiro, e aposta bilionária amarrada a uma canetada que não vem é risco que o investidor assina junto.
No fim, a régua é política. Enquanto o percentual obrigatório não sai do papel, o cronograma da Potencial vira sanfona, estica de 2030 para 2032 e pode esticar de novo. Usina se constrói com cimento, mas quem liga o motor é o decreto.



