Tem hora que a empresa põe a placa de “vende-se” na janela só pra ver quanto vale, e no fim resolve alugar um quarto em vez de mudar de casa. Foi essa a virada de mesa de uma das grandes do veneno agrícola, que estava se avaliando inteira e acabou entregando só uma fatia.
A americana FMC captou US$ 400 milhões vendendo 20% do capital ao grupo belga Tessenderlo e, com o cheque na mão, encerrou a avaliação de “opções estratégicas” que chegou a incluir a venda da companhia toda. O dinheiro tem endereço certo, abater dívida.
Só que trocar um quinto da empresa por caixa não é exatamente sinal de vida mansa. É o que se faz quando a alavancagem aperta e a margem do insumo anda espremida entre juro alto e preço de defensivo em baixa, o mesmo pano de fundo que já apareceu por aqui na Raízen e no Plano Safra. Desalavancar assim alivia o boleto, mas divide o volante com um novo sócio que agora tem 20% de opinião.
E não deixa de ser um retrato do momento do setor. No mesmo dia, duas gigantes de insumo remexendo a própria estrutura, uma trocando de comandante de olho na bolsa, outra vendendo pedaço pra respirar. Quando as donas do defensivo fazem faxina no balanço, o produtor que depende delas devia ficar de olho no próximo capítulo.



