Quando uma empresa escolhe um novo chefe às vésperas de estrear na bolsa, o crachá diz “CEO”, mas o recado é “vamos abrir o cofre para os investidores”. Foi mais ou menos isso que aconteceu na dona de boa parte do que vai na sua pulverização.
A Syngenta Group, gigante de defensivos e sementes sediada em Basel e controlada pela chinesa ChemChina, anunciou Hengde Qin como novo CEO global a partir de agosto. Mas Qin não é rosto novo, é o atual chefe de Sementes e já passou por praticamente todas as salas da empresa, do financeiro ao RH, com uma temporada de forte crescimento à frente da Syngenta China.
O detalhe que dá liga à troca está fora do organograma. A Syngenta há tempos prepara um aguardado IPO em Hong Kong, e colocar no comando um executivo de perfil financeiro e de operação é o tipo de escolha que sinaliza disciplina para o mercado. Ou seja, menos “visionário de palco”, mais “gente que fecha planilha”. A ironia é que trocar de comandante para animar uma abertura de capital que vive sendo adiada também confessa o tamanho da lição de casa que falta.
No fim, muda o nome na porta de quem ajuda a ditar o preço da semente e do veneno que entram na sua lavoura. E muda mirando um sino de bolsa do outro lado do mundo.



