Enquanto meio mundo ainda associa lavoura a veneno, o Brasil virou de mansinho o maior mercado de biocontrole do planeta, avaliado em cerca de US$ 1 bilhão, com fungos e bactérias fazendo o serviço que antes era só do defensivo químico. O setor de bioinsumos movimentou R$ 5,7 bilhões na última safra, já cobre mais de 150 milhões de hectares e deve passar de R$ 9 bilhões até 2030. Só que tem um detalhe incômodo escondido nessa liderança o Brasil é craque em usar e produzir o biológico, mas a ciência de ponta de descobrir a molécula nova, essa, historicamente vem de fora ainda.
É bem essa lacuna que uma nova geração de biotecnologia brasileira resolveu atacar, indo além de jogar o microrganismo bruto na planta, extrair metabólitos específicos, encapsular a bactéria pra ela durar na prateleira e induzir a própria planta a se blindar, como se tomasse uma vacina. Uma das apostas nesse caminho é a Síntese Agro Science, de Maringá (PR), com o P&D tocado por um time de pesquisadoras, que diz já fermentar em 24 horas um fungo que o mercado leva de 7 a 14 dias pra produzir. Se a conta fechar, o recado é enorme: o principal insumo do agro deixa de vir importado e passa a nascer no laboratório tropical daqui, e quem domina o micróbio domina a próxima lavoura.


