A mais de um quilômetro de profundidade, cientistas nos Estados Unidos acharam micróbios que comem CO₂ e o transformam em pedra numa velocidade impressionante, encurtando de anos para semanas um processo que a natureza levava tempões pra fazer. Parece distante, mas o Brasil já está fazendo algo parecido na prática, e com o etanol. Em Lucas do Rio Verde (MT), a FS ergue a primeira planta do país a capturar o gás carbônico da produção de etanol de milho e injetá-lo bem fundo, nos reservatórios salinos da Bacia dos Parecis, com meta de guardar cerca de 423 mil toneladas de CO₂ por ano. O BNDES aprovou R$ 384,3 milhões pra bancar a novidade.
A sigla da moda é BECCS, e a graça dela é virar a lógica do avesso: em vez de só emitir, o agro passa a estocar carbono no subsolo, e o etanol de milho pode até ficar carbono-negativo, o que abre porta pra venda de crédito de carbono e mercados exigentes lá fora. A leitura pro setor é boa: a mesma lavoura que alimenta o mundo pode virar um cofre de carbono, e o Brasil está entre os primeiros a testar a fechadura.



