No fim do século 19, o Brasil era dono de quase todo o látex do mundo, e a borracha da Amazônia valia tanto quanto o petróleo vale hoje. A festa acabou por causa de um punhado de sementes. Em 1876, o inglês Henry Wickham contrabandeou cerca de 70 mil sementes de seringueira (a Hevea brasiliensis) de Santarém, no Pará, para os jardins botânicos de Kew, na Inglaterra. Só umas 2 mil vingaram, mas bastou: as mudas foram parar no Sudeste Asiático e, 37 anos depois, em 1913, a borracha plantada pelos britânicos na Ásia invadiu o mercado com a mesma qualidade e preço menor, derrubando de vez a economia da borracha amazônica.
A planta que sustentou uma região inteira rendeu a Wickham o apelido de “pai da biopirataria”. O recado que atravessa o século é atualíssimo: no agro, o tesouro nunca esteve só na terra, esteve no material genético, e proteger a semente é proteger o futuro. Não à toa o Brasil hoje trata seu patrimônio genético como riqueza estratégica, justamente pra não repetir a história da borracha.



