Aqui vai um daqueles temas que não aparece na foto bonita da lavoura, mas manda no custo de tudo: fertilizante. Lá fora, Trump suspendeu as tarifas sobre o fertilizante do Marrocos para tentar segurar os custos no campo americano, um lembrete de que insumo virou peça de xadrez geopolítico, movida em Washington e sentida lá no meio de Mato Grosso.
Aqui dentro, o problema é mais antigo e mais teimoso: mesmo com planos para reduzir a dependência, a produção nacional de fertilizante recuou, e o Brasil segue comprando lá fora a maior parte do que joga na terra. É uma vulnerabilidade que não dá manchete todo dia, mas aparece redondinha na planilha de custo toda vez que o mundo espirra.
Porque depender do adubo dos outros é apostar num barco que não é o seu. Cada reviravolta de tarifa, cada guerra e cada quebra de safra lá fora chega ao produtor brasileiro em forma de conta mais salgada na hora de plantar, e, diferente do preço da soja, esse custo não sobe no telão da bolsa, ele chega quieto, direto na nota do fornecedor.
O recado para quem vive da terra é incômodo, mas necessário: enquanto o adubo vier de fora, o custo da sua safra vai ser decidido por gente que nunca pisou na sua fazenda.



