A dona do eucalipto agora quer mandar no seu papel higiênico

Você provavelmente nunca pensou na Suzano ao trocar o rolo de papel higiênico, mas isso está prestes a mudar. A maior fabricante de celulose do mundo, aquela que vive de eucalipto, decidiu que quer um pedaço do que vai parar no seu banheiro. A empresa concluiu a compra de 51% da joint venture que montou com a americana Kimberly-Clark, num negócio de US$ 1,3 bilhão, cerca de R$ 6,7 bilhões. Nasce a Arbex, dona de marcas de papel higiênico, toalha, guardanapo e lenço, com a Suzano no controle e Walter Schalka, ex-presidente da companhia, à frente do conselho. No pacote vem também uma dívida líquida de quase US$ 1 bilhão. É a maior aposta da Suzano fora da celulose, e nem todo mundo aplaude. Sair da matéria-prima, onde ela é gigante global, pra brigar na prateleira do supermercado, onde a margem é fina e a marca é rainha, é trocar um jogo que domina por outro que ainda vai ter que aprender. E a dívida que veio junto pesa num momento de juro alto. Mas a lógica tem lastro. Quem planta eucalipto e faz celulose passou anos vendo o valor ir embora rio abaixo, do tronco ao produto final. Comprar a fábrica que transforma a própria fibra em item de banheiro é encurtar essa distância e ficar com a parte mais gorda da conta. Se der certo, a árvore da Suzano vai render bem depois de virar papel.